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Hoje: 22/11/2008
Diabetes: afinal, qual é o problema?
O diabetes mellitus, popularmente conhecida apenas por diabetes, é um distúrbio do metabolismo que afeta primeiramente os açúcares (glicose e outros), mas que também tem repercussões importantes sobre o metabolismo das gorduras (lípides) e das proteínas. Muita gente pensa que o diabetes é uma doença simples e benigna, um probleminha banal de “açúcar alto no sangue”. Na verdade, infelizmente não é bem assim. O diabetes é uma disfunção que, se não tratada e bem controlada, acaba produzindo, com o correr do tempo, lesões graves e potencialmente fatais, como o infarto do miocárdio, derrame cerebral, cegueira, impotência, nefropatia, úlcera nas pernas e até amputações de membros. Por outro lado, quando bem tratado e bem controlado, todas essas complicações crônicas podem ser evitadas e o paciente diabético pode ter uma vida perfeitamente normal.

O bom controle do diabetes pode propiciar uma vida normal e evitar as complicações crônicas da doença, além de prevenir complicações agudas.


Diabetes: quantos tipos existem?

São pelo menos dois tipos de diabetes: aquele onde o paciente precisa tomar injeções diárias de insulina e aquele onde o paciente necessita de comprimidos (antidiabéticos orais) para controlar a doença.

O diabetes que necessita obrigatoriamente da insulina para o controle da doença é chamada diabetes Tipo 1.

Por outro lado, aqueles que se controlam apenas com comprimidos tem diabetes Tipo 2. Quem tem diabetes Tipo 2 pode, eventualmente, precisar de insulina. O quadro mostra as características principais do diabetes tipos 1 e 2.


Principais Tipos de Diabetes

Início da Doença Geralmente ocorre na infância ou na adolescência Geralmente ocorre em adultos obesos acima de 35 anos

Causa Hereditariedade e outros fatores levam à falha do pâncreas em produzir insulina Tendência hereditária e obesida de levam a uma resistência das células do corpo à ação da insulina

Sintomas Sede intensiva, apetite excessivo cansaço e micções freqüentes. pode progredir rapidamente para o coma. Instalação geralmente aguda Pode não apresentar nenhum sintoma característico. Às vezes só se manifesta por cansaço, sede aumentada e micções frequentes.

Diagnóstico Níveis altos de glicose sanguínea, em jejum Níveis altos de glicose sanguínea, em jejum. Teste alterado de tolerância à glicose.  

Tratamento Insulina, nutrição, exercícios físicos e monitoração Nutição, exercícios físicos e, algumas vezes, comprimidos orais. Podem, eventualmente, precisar de insulina

Complicações Agudas Coma devido a níveis de glicose Muito altos (hiperglicemia) ou Muito baixos (hipoglicemia)

Raras
Complicações Médio prazo
Deficiência de crescimento e desenvolvimento. Problemas durante a gravidez
Problemas durante a gravidez  
Complicações Longo prazo Problemas nos pequenos vasos sanguíneos dos olhos e rins e nos nervos; problemas nos grande vasos do coração, cérebro e extremidades dos membros Problemas nos grande vasos do coração, cérebro e extremidades dos membros; problemas nos pequenos vasos dos olhos, rins e pés e nos nervos

Prevenção das Complicações Educação em diabetes, bom controle glicêmico, exercícios físicos, nutrição adequada, aderência ao tratamento medicamentoso

Perda de peso

Quantos têm diabetes?

De acordo com o resultado do Censo, a ocorrência de diabetes, na faixa etária dos 30 aos 69 anos, foi de 7,6% da população.

No Brasil, há 5 milhões de portadores de diabetes. Metade deles nem sabe que tem a doença em plena evolução.

Diabetes e suas complicações

O controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue (glicemia) é a principal estratégia para a prevenção das complicações do diabetes. Nas pessoas sadias e nos pacientes diabéticos bem controlados, a glicemia deve variar entre 60 mg/dl (se a pessoa estiver em jejum) e 160 mg/dl (cerca de duas horas após uma refeição).

As complicações agudas acontecem quando há variações intensas da glicemia, num período curto de tempo (algumas horas ou dias). Níveis muito altos (hiperglicemia) ou muito baixos (hipoglicemia) podem levar ao coma. As crônicas são conseqüências da manutenção da hiperglicemia por longos períodos (meses ou anos).

O portador de diabetes Tipo 1 está muito mais propenso a complicações agudas do que o Tipo 2, uma vez que o controle de glicemia no Tipo 1 é muito mais difícil e também porque, nestes casos, as alterações da glicemia, para cima ou para baixo, acontecem muito mais rapidamente.

Resultado Classificação Denominação
Acima de 160mg/dl Alto Hiperglicemia
Entre 60mg/dl e 160mg/dl
Dentro da faixa normal Normoglicemia
Abaixo de 60mg/dl
Baixo
Hipoglicemia


(*) A qualquer hora do dia


    Em termos de risco de complicações crônicas, tanto quem tem diabetes Tipo 1 como o Tipo 2 está sujeito a complicações vasculares e nervosas, caso não consiga controlar sua glicemia.
O bom controle da glicemia é a chave do sucesso para prevenção das complicações agudas e crônicas do diabetes.

Diabetes e o controle da Glicemia

Nunca é demais repetir que, sem um controle adequado da glicemia, quem tem diabetes pode apresentar elevado risco de evoluir para as temíveis complicações crônicas da doença.
Portanto, é importante compreender quais os fatores que têm uma influência direta sobre os níveis glicêmicos
A figura abaixo resume as principais estratégias para o controle glicêmico e o conjunto de fatores acessórios ue também influenciam esse controle.

 

A educação em diabetes

Certamente, nenhuma outra doença requer do paciente tanto conhecimento e empenho pessoal para seu controle. Ele precisa entender os mecanismos da doença. As condições que provocam elevação ou queda brusca de glicemia, as orientações dietéticas sobre o que e o quanto comer, os perfis de ação terapêutica das várias insulinas, enfim todo um conhecimento geral e específico que o permitam assumir o controle de sua doença.

A educação em diabetes é uma atividade vital para o controle da doença

Hoje em dia a educação em diabetes vem sendo considerada uma das atividades vitais, uma vez que é através de um processo dinâmico e contínuo de aprendizado que poderá incorporar os conhecimentos de que precisa.

É importante salientar, no entanto, que a educação em diabetes não se limita a “ler um livrinho” ou assistir a uma palestra sobre o assunto. Ela requer um empenho total, não só para aprender cada vez mais, mas, principalmente, para praticar cada vez mais aquilo que aprendeu.

Outros fatores de sucesso no controle do diabetes

A motivação pessoal, a disciplina e a força de vontade são requisitos fundamentais para um bom controle do diabetes.

Afinal de contas, o diabetes bem controlado exige sacrifícios por parte do paciente: ter que se alimentar em horários e quantidades previstas, ter que se exercitar, tomar injeções diárias ou compromidos.

O apoio social e familiar, aliado a um bom equilíbrio emocional, cria condições favoráveis ao reforço de atitudes positivas em relação à doença. O estresse emocional pode ter conseqüências bastante negativas para o controle glicêmico.

Automonitorização – O controle domiciliar do Diabetes

Quem tem diabetes precisa saber a quantas anda o controle de sua glicemia nas diversas horas do dia e durante todos os dias. Provavelmente, a maioria ainda só faz um exame de glicemia a cada seis meses ou um ano, quando visitam o médico para sua avaliação periódica. É evidente que essa informação tem pouca ou nenhuma valia, uma vez que a glicemia se altera a cada minuto, sujeita a vários fatores e, assim, esse exame feito a cada seis ou 12 meses pouco diz sobre o estado real de controle do paciente. Hoje em dia, a moderna tecnologia já dispõe de mini-aparelhos portáteis e automatizados para permitir a realização da glicemia, pelo próprio paciente e com apenas uma pequena gota de sangue, com resultado a partir de 12 segundos. Com esse tipo de recurso disponível, o exame de sua glicemia pode ser feito em casa, na hora que precisar e sem qualquer dificuldade. Os resultados são precisos e confiáveis.

Automonitoração

É o nome dado a essa prática que permite a quem tem diabetes realizar em casa suas glicemias de controle.
Testes de glicose na urina também estão disponíveis para controle domiciliar e constituem uma prática bastante comum. Entretanto, os testes urinários de glicose apresentam várias limitações e, hoje em dia, estão perdendo sua popularidade para os testes sanguíneos (glicemia).

Bibliografia
" Convivendo com o diabetes" - Laboratório ROCHE


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