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Complicações Agudas e Crônicas
Complicações Agudas são aquelas que se instalam rapidamente, em questão de horas ou poucos dias; complicações crônicas são as que vão se instalando lentamente, no decorrer de alguns anos. No caso específico do diabetes, o paciente está sujeito a ambos os tipos de complicações. Por exemplo, se houver alterações bruscas e profundas nos níveis de açúcar do sangue (glicemia), podem ocorrer dois tipos de complicações agudas em questão de horas: o chamado coma hiperglicêmico, quando a glicemia se torna extremamente alta, ou então, na situação totalmente oposta, o chamado coma hipoglicêmico, quando os níveis de glicose sanguínea se tornam extremamente baixos. Por outro lado, as complicações crônicas, que se desenvolvem com a evolução do diabetes, se manifestam sob três formas principais: comprometimento dos vasos capilares, dos vasos arteriais de pequeno e médio calibre, e das vias nervosas. Resumo das Complicações Agudas e Crônicas do Diabetes
![]() Complicações Agudas As complicações agudas do diabetes ocorrem em função de alterações bruscas dos níveis de glicose sanguínea (glicemia), seja por aumento exagerado (hiperglicemia), seja por queda acentuada (hipoglicemia). Ambas as situações são consideradas de emergência, uma vez que podem, potencialmente, se constituir em risco de morte. As alterações bruscas de glicemia, para cima ou para baixo, são bem mais freqüentes no diabetes Tipo 1 do que no Tipo 2, exceto quando estiverem recebendo insulina. Lembre-se de que, quem tem diabetes Tipo 1 sempre precisa e depende da insulina injetada quando o controle da glicemia não responde ao tratamento com comprimidos, ou então, esporadicamente, em certas situações especiais. De qualquer forma, é muito importante lembrar que o nível de glicemia (e, conseqüentemente, as doses necessárias de insulina) está na dependência dos três fatores básicos, mostrados abaixo: Ou seja, uma determinada dose de insulina somente é adequada para quem esteja seguindo uma nutrição mais ou menos padronizada e que esteja mantendo um determinado nível, razoavelmente constante, de atividades físicas. Qualquer alteração importante no padrão da nutrição ou no nível de atividade física, obrigatoriamente, resultará em uma alteração das necessidades de insulina.
Hipoglicemia O que é? A baixa acentuada dos níveis de glicose no sangue (hipoglicemia) ocorre quando a quantidade de insulina injetada se torna excessiva para os padrões de nutrição e atividade física, o que pode causar o coma hipoglicêmico. Como acontece? a) Quando houver erro de dosagem, com injeção excessiva de insulina, ou erro quanto ao tipo de insulina injetada; b) Quando o paciente diminuir bruscamente a quantidade de calorias ingeridas, ficando sem comer por várias horas; c) Quando houver um aumento brusco do nível de atividade física (excesso de exercícios). Por exemplo, a criança está bem controlada com uma determinada dose de insulina, durante o período escolar. Chegando as férias, ela começa a nadar e a brincar o dia todo, aumentando o nível de atividade física. Conseqüência: a dose de insulina pode se tornar excessiva. Outro exemplo: por algum motivo, a criança perde a fome e deixa de se alimentar ou come muito pouco em relação ao que estava acostumado. Também neste caso a dose normal de insulina pode se tornar excessiva. Quais os sintomas? Quando o nível de glicose do sangue se torna muito baixo, os seguintes sintomas se manifestam e vão se intensificando, se não houver tratamento: * Sensação de fraqueza ou fome * Tonturas * Tremores, palpitação * Sudorese (excesso de suor), pele fria * Convulsões * Perda de consciência * Coma hipoglicêmico Os problemas mais sérios, como a inconsciência, as convulsões e o coma hipoglicêmico acontecem quando os níveis de glicemia chegam a valores muito baixos (inferiores a 40 mg/dl). Como prevenir e tratar? O quadro de reação hipoglicêmica responde rapidamente à administração urgente de glicose, por via oral, (quando o paciente estiver consciente) ou por injeções de glicose endovenosa, ou por injeção subcutânea de Glucagon, se for o caso. Assim, alguns copos de suco de laranja, balas, chocolates ou mesmo a dextrose em pó ou comprimidos especiais de dextrose, no início dos sintomas, podem se constituir em medidas milagrosas, capazes de reverter o quadro. Hiperglicemia O que é? Quando a insulina se torna insuficiente, a glicose no sangue sobe muito, levando a sintomas de hiperglicemia e, eventualmente ao coma hiperglicêmico. Isto acontece quando o tratamento medicamentoso (insulina ou antidiabéticos orais) se torna insuficiente para os padrões de nutrição e atividade física do paciente. Como acontece? A hiperglicemia e, eventualmente, o coma hiperglicêmico poderão acontecer nas seguintes situações: a) Quando houver um erro, para menos, na dose de insulina; b) Quando o uso isolado do antidiabético oral (comprimidos) já é ineficaz há algum tempo; c) Quando o paciente não segue a nutrição adequada e comete abusos alimentares; d) Em situações de estresse físico ou emocional (por exemplo, na ocorrência de gripes e outras infecções, intervenções cirúrgicas, etc.). Freqüentemente, a hiperglicemia acentuada e o coma hiperglicêmico são as primeiras manifestações do início da doença no diabetes Tipo 1. No diabetes Tipo 2, por ser de instalação mais lenta e progressiva, o coma hiperglicêmico geralmente não ocorre como manifestação inicial da doença. Quais os sintomas? Com a hiperglicemia, o excesso de glicose é eliminado pelos rins, carregando muito líquido junto. Assim, as principais manifestações da hiperglicemia e do coma hiperglicêmico são: * Sede intensa, desidratação * Volume urinário excessivo * Perda rápida de peso * Fraqueza e tonturas * Coma hiperglicêmico * Respiração acelerada * Face avermelhada * Dor abdominal * Perda de consciência Suas manifestações vão se intensificando até o paciente chegar ao coma. Se não tratado adequadamente e em tempo, o risco de morte será inevitável. Como prevenir e tratar? A prevenção da hiperglicemia e do coma hiperglicêmico pode ser feita através de um rígido controle de glicemia, principalmente em situações de estrresse, de doenças intercorrentes e de aumento de ingestão alimentar. Ao contrário do coma hipoglicêmico, cujas medidas de tratamento de urgência podem ser tomadas até mesmo em casa, no coma hiperglicêmico não há soluções fáceis e simples para contornar a situação. O paciente precisará ser removido, com urgência, para um hospital ou pronto socorro. Complicações Crônicas A evolução do diabetes, rumo às complicações crônicas, está inteiramente relacionado com o controle inadequado do diabetes, e portanto, com a manutenção de níveis persistentementes muito altos de glicemia (hiperglicemia crônica). Na verdade, a evolução para as complicações crônicas começa a acontecer com os níveis não muito exagerados de hiperglicemia, níveis de 170 a 200 mg/dl já são suficientes para iniciar o processo das complicações. Interessante notar que esses níveis de glicemia, muito embora suficientes para produzir complicações crônicas, podem não ser suficientes para provocar os sintomas clássicos do diabetes (sede, emagrecimento, excesso de urina, etc.). Por isso se diz que o diabetes pode ter uma evolução silenciosa e só ser diagnosticado quando as complicações crônicas já estiverem razoavelmente avançadas. O rígido controle dos níveis de glicemia é a única forma de prevenir as complicações crônicas. Comprometimento de vasos capilares (microangiopatia diabética) Na chamada microangiopatia diabética, os níveis acentuados de glicemia provocam lesões nos vasos capilares, atingindo principalmente os rins (nefropatia diabética) e retina ocular (retinopatia diabética). Na retinopatia diabética, que acontece cerca de 50% dos pacientes após 10 anos de diabetes, os capilares da retina se enfraquecem, se dilatam e se rompem, podendo evoluir para a cegueira. O tratamento da retinopatia diabética é preventivo por excelência: exame anual de fundo de olho, controle da hipertensão e controle da glicemia. A laserterapia e certas cirurgias oculares são os principais tratamentos na doença já instalada. O tratamento da retinopatia diabética é preventivo por excelência Pelos mesmos mecanismos, a nefropatia diabética pode se instalar, comprometendo a capacidade dos rins de filtrar adequadamente as impurezas do sangue. Esse processo acaba evoluindo para uma insuficiência renal, na qual o paciente precisará se submeter a hemodiálises freqüentes para sobreviver. Comprometimento de vasos arteriais (macroangiopatias diabéticas) Este grupo de macroangiopatias diabéticas acontece devido ao comprometimento das artérias de calibre um pouco maior e pode afetar a circulação do coração e do cérebro, além da circulação periférica, principalmente dos membros inferiores. As principais conseqüências podem ser o infarto do miocárdio, os derrames cerebrais e os problemas arteriais periféricos, que incluem a ulceração das pernas e dos pés e a gangrena das extremidades, principalmente dos dedos dos pés. Nestes tipos de complicações, os fatores de risco mais importantes são a hipertensão arterial, os altos níveis de colesterol, a obesidade, o tabagismo e a idade, sendo que o diabetes funciona como um fator acelerador do processo. A prevenção e o tratamento visam o controle dos fatores de risco mencionados. Comprometimento das vias nervosas (neuropatia diabética) O comprometimento das vias nervosas, conhecido como neuropatia diabética, talvez seja a complicação crônica mais comum do diabetes mal controlado, atingindo cerca de 40% dos pacientes. Ela pode se manifestar pelo comprometimento dos nervos sensitivos causando distúrbios de sensibilidade cutânea (formigamentos, anestesias dolorosas, propensão do desenvolvimento de ulcerações nos pés, impotência sexual, etc.). Também pode haver o comprometimento de vias do sistema nervoso autônomo, causando distúrbios gástricos, urinários, circulatórios e da sudorese. As complicações nervosas são muitas e variadas e somente um especialista será capaz de detectá-las. O chamado "pé diabético" é uma das complicações crônicas mais graves, provocando áreas de necrose e ulceração. Hoje em dia, o "pé diabético" vem recebendo uma atenção cada vez maior, sendo, que no Brasil, já existem alguns centros especializados em "pé diabético". O uso adequado de palmilhas e calçados especiais ajuda a prevenir ou controlar a evolução dessa complicação. Concluindo O diabetes mal controlado pode ser responsável por inúmeras complicações crônicas. Quem tem diabetes tem uma opção importante a fazer: bom controle ou complicações crônicas. Sugestões Mande-nos sua sugestão |
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