NOVA YORK - Algumas pessoas podem responsabilizar os genes, pelo menos parcialmente, por sua barriga, sugere um estudo sueco.
Os pesquisadores verificaram que uma determinada variação de um gene associado ao metabolismo da gordura pode ajudar a queimar o excesso na parte média do corpo. No estudo realizado com homens de meia-idade, quem não tinha a variante apresentava uma cintura maior.
O gene codifica a proteína apolipoproteina A-II (apo A-II), componente do colesterol HDL ("bom"). As pesquisas em ratos indicam que, entre outras funções relacionadas ao metabolismo, a apo A-II pode ajudar a controlar o acúmulo de gordura corporal. Sua interferência no corpo humano ainda não é totalmente conhecida.
A equipe de Ferdinand M. van't Hooft, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, avaliou o gene para apo A-II em 624 homens saudáveis de 50 anos. Os pesquisadores observaram variações em uma determinada região do gene e como estas variantes poderiam influenciar o metabolismo e acúmulo de gordura na cintura.
Os pesquisadores verificaram que homens com uma variante dupla 265C eram mais magros e apresentavam um metabolismo maior de determinadas gorduras no sangue. Eles também apresentaram níveis sanguíneos menores de apo A-II. As pesquisas anteriores sugeriram que altos níveis sanguíneos desta proteína poderiam aumentar o risco de depósitos de gordura nas artérias.
Os resultados foram publicados na edição de 11 de setembro do Circulation: Journal of the American Heart Association.
No geral, 60 por cento dos homens tinham pelo menos uma cópia da variante 265C. O restante tinha duas cópias da variante 265T, níveis sanguíneos maiores de apo A-II e cintura maior. Os homens que apresentavam duas cópias da variante 265C tinham dorso mais equilibrado, enquanto os que tinham uma só cópia apresentavam acúmulo de gordura na região medial do corpo.
Os efeitos das variantes da apo A-II foram geralmente modestos.
Os pesquisadores concluíram que a associação entre as variantes 265C/T e o tamanho da cintura indicam que o gene para a apo A-II interfere na gordura abdominal.
Entretanto, o estudo reforçou as pesquisas com animais que sugerem que o gene tem muitas funções metabólicas, incluindo as envolvidas no risco de doença cardíaca.
Fonte: Reuters
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